As ações das gigantes do setor de semicondutores Qualcomm e Arm despencaram mais de 8% nas negociações após o expediente, depois de uma revelação preocupante em seus lucros trimestrais: o setor de telefonia móvel está atingindo um teto rígido, não devido à falta de demanda, mas devido a uma grave escassez de chips de memória.
A causa principal: IA vs. celulares
A raiz da crise está na expansão sem precedentes da infraestrutura de Inteligência Artificial.
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Mudança de capacidade: Os três maiores fabricantes de memória do mundo – SamsungElectronics, SK Hynix e Micron – estãodesviando agressivamente a capacidade de produção para chips de memória de alta largura de banda (HBM), que são essenciais para os data centers de IA.
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O aperto: Esse pivô estratégico reduziu significativamente a capacidade de fabricação disponível para DRAM móvel padrão e flash NAND. Como resultado, menos componentes de smartphones estão sendo produzidos, levando à redução da disponibilidade de aparelhos e a preços mais altos para os consumidores.
Vozes e avisos do setor
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Qualcomm (Cristiano Amon): O CEO declarou sem rodeios que a escassez de memória determinará o “limite superior geral” do mercado global de smartphones este ano. Ele revelou que os OEMs chineses já sinalizaram que seus volumes reais de produção serão menores do que o planejado originalmente devido à incapacidade de obter memória suficiente.
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Intel (Li-Wu Chen): A perspectiva é sombria, com a liderança da Intel sugerindo que a escassez não mostra “nenhum sinal de diminuição” e pode persistir até 2028.
O lado positivo: Priorização dos produtos de ponta
Apesar das restrições de volume, há uma mudança estratégica que protege a receita. Os fabricantes de smartphones estão priorizando a produção de modelos topo de linha em detrimento de dispositivos econômicos para maximizar as margens no fornecimento limitado de memória disponível. Essa mudança de combinação beneficia a Qualcomm (vendendo Snapdragons premium) e a Arm (taxas de royalties mais altas por unidade), oferecendo um vislumbre de esperança em meio à crise de fabricação.

Emir Bardakçı